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Revolution - A história da montanha-russa com o trem mais longo do mundo

João Vitor Becker

23 de mai. de 2024

Conheça a história de um dos modelos de montanha-russa mais curiosos já feitos

Há modelos de montanhas-russas que estão presentes em vários parques ao redor do mundo, algumas chegam a estar presente em todos os continentes do planeta. É fácil citar alguns modelos, como por exemplo a Boomerang da fabricante holandesa Vekoma, que se consagrou como uma das montanha-russas mais fabricadas do mundo. Somente enquanto você lê este post há 55 Boomerangs operando ao redor do globo. Mas por outro lado, há também montanhas-russas que são únicas, que são exclusividades de poucos parques e em alguns casos de apenas um parque. Já imaginou uma montanha-russa que só existe em apenas um parque no mundo? É possível?


Lógico, tanto que uma delas será a estrela deste post, a icônica Revolution do parque Bobbejaanland, na Bélgica. Antes de eu contar a história da montanha-russa, claro que temos que falar um pouco sobre o parque onde ela está localizada. O parque é Bobbejaanland, parque de diversões inaugurado em 1959 em um terreno com mais de 30 hectares na pequena vila chamada Lichtaart, no município de Kasterlee, à 43 km da cidade de Antuérpia e à pouco mais de 90 km da capital belga, a cidade de Bruxelas.



O parque foi inaugurado pelo cantor de música country europeia belgo Bobbejaan Schoepen, e décadas mais tarde já se consolidava como um dos melhores e principais parques de diversões da Bélgica segundo o site de viagens Trip Advisor, juntamente com parques como o Walibi Belgium, Plopsaland e Phantasialand. O parque possui muitas atrações icônicas, como o Sledgehammer um Giant Frisbee da HUSS, Typhoon uma montanha-russa do modelo Euro-Fighter da Gerstlauer, a montanha-russa Dreamcatcher do modelo Air Race da Vekoma, Bob Express uma montanha-russa do modelo Powered Coaster da Mack Rides, Oki-Doki uma montanha-russa familiar do modelo Junior personalizada da Vekoma, Fury a mais nova aquisição do parque uma montanha-russa do modelo Infinity Coaster também da Gerstlauer e claro a estrela de nosso post, Revolution.


Inaugurada em 1989, Revolution é uma das atrações mais icônicas do parque (senão a mais icônica de todas), isto devido ao fato dela ser uma montanha-russa exclusiva do parque. Ela não existe em nenhum outro lugar do mundo, mas já existiu. Do modelo Illusion da fabricante neerlandesa Vekoma, a montanha-russa usa o sistema de trilhos MK-700, ela possui 765 metros de extensão e 28 metros de altura. Ela opera com apenas um trem com 30 carros, podendo cada carro levar até 2 pessoas totalizando 60 pessoas por ciclo.



Porém, o modelo Illusion foi descontinuado meses após ter sido apresentado e despertou interesse em apenas dois parques, Bobbejaanland e o extinto Opryland USA em Nashville no Tennessee, Estados Unidos. A montanha-russa que operou no Opryland era chamada de Chaos e ao contrário de sua irmã belga ela operava com um trem de 40 carros, o que fez dela a montanha-russa com o maior trem do mundo. Porém Chaos operou por apenas 8 anos até 1997, quando o Opryland USA foi fechado. Chaos assim como muitas outras atrações do parque foram vendidas para a Premier Parks que realocou a montanha-russa e outras antigas atrações para o Old Indiana Fun Park, um antigo parque de diversões localizado em Thorntown no Estado de Indiana e que a empresa tinha planos de reabrir, o que nunca aconteceu.



Algumas atrações foram vendidas como é o caso da Rock'n'Roller Coaster, atual Canyon Blaster do Six Flags Great Escape, porém Chaos nunca ganhou um novo lar, sendo assim demolida. Eu li há algum tempo atrás em algum lugar na internet que os trens da Chaos haviam sido vendidos para o Bobbejaanland e reusados na Revolution, porém não posso confirmar se esta afirmação é verídica. Desde a demolição da Chaos, Revolution se tornou a montanha-russa com os maiores trens do mundo. Até agora eu falei um pouco sobre a Revolution e a história dela. Mas... como é o funcionamento da montanha-russa?



Vale citar que Revolution é uma montanha-russa do tipo Enclosed Coaster, popularmente conhecida como "montanha-russa indoor", "montanha-russa no escuro" ou "Vurang" como esse tipo de montanha-russa é conhecido no Brasil, já que só temos ela como montanha-russa do tipo aqui em nosso país. Após o longo trem sair da estação, ele entra em uma grande sala dentro da estrutura onde a montanha-russa fica. Nesta sala, o trem sobe um lift em espiral. Enquanto o trem sobe o lift, é exibido em uma tela que fica no teto da estrutura um filme de 70mm que mostra imagens como um pêndulo, um relógio misterioso, uma lua antropomórfica (que lembra a lua do filme "Viagem à Lua" de Georges Mélies) um olho, um buraco de minhoca, um relógio digital e explosões de átomos.



O filme projetado nas telas foi produzido pela produtora norte-americana R/Greenberg Associates, conhecida por ter sido responsável pela criação dos créditos de abertura de filmes como "Superman" e o clássico do terror vencedor do Óscar "Alien: O Oitavo Passageiro". Originalmente, a montanha-russa contava com 2 telas de projeção, a tela do teto da estrutura e uma que ficava próxima ao chão da estrutura. As telas possuíam efeitos sincronizados onde todas as ações que ocorriam na tela superior tinham continuidade na tela inferior, mas a tela de inferior foi removida e substituída por um "buraco" que simula um vulcão ativo.



Tendo chegado no topo do lift em espiral o trem deixa a sala interna e entra em uma espiral descendente ao redor da sala do lift podendo atingir até 50 km por hora, até reentrar brevemente na sala interior (quando é exibida uma engrenagem na tela de projeção), frear e retornar à estação. Durante a espiral descendente, o trem passa por alguns paineis onde são exibidas imagens animadas como de fogo, vidros quebrando-se e um portal do tempo, porém algumas dessas projeções foram substituídas ao longo dos anos por luzes estroboscópicas e outros efeitos.



As únicas diferenças do funcionamento da Revolution para a sua irmã estadunidense Chaos é de que na Chaos as telas de projeção superior e inferior da sala do lift se danificaram com o tempo e foram substituídas por efeitos em laser e por esculturas como a de um dragão e uma escultura que simulava um reator nuclear. Após as mudanças a montanha-russa foi reaberta com o novo slogan que dizia "now more chaotic than never" ou "agora mais caótica do que nunca" em tradução livre para o português.


Uma música foi composta especialmente para a montanha-russa, no entanto foi substituída por um trecho de pouco mais de 2 minutos de duração de uma composição em sintetizadores chamada "Bones on the Beach" do álbum Xcept One do compositor alemão Michael Hoenig, conhecido por ter composto a trilha sonora de filmes como a do documentário experimental "Koyaanisqatsi: Vida Fora de Balanço" e o remake de 1988 do filme de terror "A Bolha Assassina" assim como de séries televisivas como "MaxHeadroom" e "Dark Skies" e jogos como "Baldur's Gate". A composição "Bones on the Beach" de Michael Hoenig foi usada tanto em Chaos quanto na Revolution. Porém a Revolution também operou com outras composições, como é o caso de "Italien Capriccio" do renomado compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky.



Em 2008 a montanha-russa foi renomeada como (R)evolution, de forma com que se encaixasse na temática de selva da área onde está localizada, a área Banana Bos, onde também opera a excêntrica atração King Kong, de fabricação pela HUSS Rides. Para maior imersão na temática da área Banana Bos, o filme e a música foram alterados porém esta mudança durou pouco já que em 2014 (para a alegria de muitos) a montanha-russa voltou a se chamar Revolution e voltou a operar com o seu filme e música originais.


De meados do ano de 2016 até janeiro de 2023 a montanha-russa, assim como muitas outras montanhas-russas ao redor do mundo (principalmente falando das montanhas-russas da rede Six Flags) passou a operar com os óculos VR (Virtual Reality) ou óculos de realidade virtual da Samsung. O passeio obviamente continuou o mesmo, mas quem usava os óculos de realidade virtual experienciava uma aventura de escape de um vulcão ativo. A experiência ganhou o nome de Mountmara.


Recentemente a montanha-russa passou por uma breve reforma com um custo estimado em 1 milhão de euros. Os trens foram repintados nas cores originais, preto, cinza e verde água, e algumas das antigas projeções nos paineis como a do portal tiveram seu retorno, para a alegria de fãs do parque e da montanha-russa, que a apelidam carinhosamente de "eeuwige bocht naar links" ou "eterna curva para a esquerda" em tradução livre do neerlandês, por conta do lift em espiral para a esquerda.




Esta foi um pouco da história da montanha-russa Revolution do parque Bobbejaanland. E aí já visitou o parque? Já andou nesta icônica montanha-russa? Se sim, deixe nos comentários!

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